segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

WOMAN IS THE NIGGER OF THE WORLD (better scream about it)

Alguma quantidade de álcool no meu sangue e eu estaria berrando out loud os versos da música. Não que seja de fato necessária qualquer tipo de ajuda para perceber o óbvio, ou para se indignar por ele. Mas acho que às vezes dá uma certa preguiça de gritar; ou é o óbvio que se subverte, que é subvertido, melhor dizendo, em banal. Alguém aí consegue dizer do fundo do coração que a mulher não é o negro do mundo, a escrava dos escravos? E, vejam bem, eu não me refiro aqui a (ou apenas a) mulheres que sofrem violência doméstica, que são proibidas de sair pra rua pra trabalhar, etc, etc, isso ainda é óbvio, e amplamente condenável, ainda que desastrosamente corriqueiro. Eu quero falar de algo igualmente perverso, ou até ainda mais perverso, na medida em que está longe de atingir o status social de "amplamente condenável", e muito mais longe ainda de deixar de ser desastrosamente corriqueiro. Eu quero falar de todas as mulheres do mundo.
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We make her paint her face and dance. Conversando com um amigo hoje, ele me contava que um amigo teve um filho mais ou menos na mesma época que ele teve a primeira filha dele. E daí o cara mandou o clichê: "meu filho ainda vai comer a tua filha", e meu amigo então respondeu: "não, é a minha filha que vai transar tão bem com ele que ele nunca mais será o mesmo depois".
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Hoje o bebê-fêmea em questão é uma linda menininha de 7 anos, recentemente repreendida pela avó porque havia colocado um vestido muito curto, e, da forma como ela sentava, dava pra ver a calcinha. E ela tem 7 anos. E ela achou um pouco estranho quando seu pai contou a ela que um dia ela terá um namorado, e depois outro, e depois outros, que aprenderá muitas coisas, e que um dia encontrará uma pessoa especial, e que vai se casar, e que ela vai ser muito feliz, mas que talvez algo saia errado e ela se separe, e então se case de novo.
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Pensando aqui com meus botões, eu acho que a minha vida teria sido beeeeem mais fácil se alguém me tivesse dito algo assim. Se eu não tivesse buscado em cada relacionamento o príncipe encantado, (ou a princesa), se não tivesse carregado por anos a imensa e cruel ansiedade pelo tão esperado momento de descobrir com quem serei feliz pelo resto da vida. Se eu tivesse buscado apenas ser feliz. E olha que, apesar de toda a longa espera pelo príncipe encantado, eu me diverti e fui bem mais feliz do que boa parte do mundo. Mas, quando eu finalmente me dei conta disso, de que príncipes não existem e de que o que importa é ser feliz, não é que já era tarde demais, é que talvez tenha sido muito cedo, tipo assim, uns 500 milhões de anos mais cedo. Porque não adianta muito saber que a Terra é redonda se todo mundo jura de pés juntos que ela é plana. Ou seja, príncipes encantados, no final das contas, existem de verdade, e estão espalhados por aí, procurando a princesa ideal, que também existe aos montes por aí. A questão é que em alguns casos, a máscara já ficou pegada na cara, em outros, é apenas uma máscara.
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Corta.
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Woman is the nigger of the world, yes, she is. If you don't believe me, take a look at the one who you are with. Woman is the slaves of the slaves. Think about it. Do something about it. Essa parte da música me faz lembrar muito, mas muito mesmo do muito bom Manderlay, 2005, ***SPOILER!!!***, quando no final descobrimos que os escravos eram escravos por uma simples razão: eles queriam ser escravos. Lembrei do filme por causa da parte "slaves of the slaves", e me ocorreu que tantas vezes, em tantas situações, o escravo quer ser escravo. O que além de não justificar a crueldade do Senhor, apenas faz aumentar a sua gravidade. Mulheres-enfeite, mulheres-paisagem, mulheres-prestativas, mulheres-submissas. Mulheres que, muito além de não terem idéia da violência a qual são submetidas, a desejam, não imaginam suas vidas sem essa violência, preferem morrer a viver sem essa violência. E mesmo quando a violência não existe, elas a auto-impõe.
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Porque aprenderam aos 7 anos de idade que uma mulher deve saber sentar bem, sem mostrar a calcinha, porque aos 13 não conseguem conceber a idéia de ir ao colégio sem maquiagem, porque aos 15 sabem que se transarem na primeira noite não serão "valorizadas", porque casar-se com o primeiro amor é a maior glória possível, porque um divórcio é a pior vergonha para uma mulher. We insult her everyday on TV, and wonder why she has no guts or confidence, when she is young we kill her will to be free, while telling her not to be so smart we put her down for being so dumb. E adivinhem o que mais. Isso funciona. A sociedade imbeciliza as mulheres, enfraquece os homens, e pune duramente o primeiro que disser que o Imperador está nu.
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Corta.
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Agora vamos imaginar que outro mundo é possível, que a sociedade contemporânea ocidental cunhou nos dicionários de filosofia o conceito de liberdade. Liberdade? Sério mesmo? A gente pode ser o que a gente quiser? Num mundo cheio de príncipes e princesas, num imenso e hipócrita baile de máscaras em um palco gigantesco chamado Planeta Terra, a gente tem mesmo opção, a gente é mesmo livre? A que preço? Olha, você é totalmente livre pra não seguir as regras da sociedade, mas daí você vai viver fora dela, tudo bem? . Não, não tá tudo bem.
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Aliás, particularmente, aqui entre nós, eu achei muito bonita a nova roupa do Imperador. Mas ainda aguardo a primeira expedição colonizatória de Plutão.
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(aliás, será que existe vida em Marte?)

1 comentários:

  1. Naiá Lusvarghi
    Pronto, ta assinado embaixo!
    E busquemos sapos desencantados, ogros desapaixonados, e quem sabe até um burro falante!
    PS: Eu ainda caso com um Peter Bishop...

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