quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

por um mundo sem fronteiras


.
A música não tem muito a ver com o momento, não tem nada a ver, mas quando eu penso em "border" eu penso em "borderline", então foi meio inevitável. Bom, ultimamente também eu tenho a sensação que vou enlouquecer (borderline, feels like I'm gonna lose my mind), então não é que a música seja tão nada a ver assim. Mas o assunto do post é completamente outro, tá?
.
É, eu vou passar pela "border" de novo. Acho que ainda não comentei aqui como eu odeio fronteiras. Queria iniciar um movimento mundial pela abolição das fronteiras, dos nacionalismos, queria que todo mundo entendesse que porra, o mundo é um só e tá todo mundo junto nessa bagaça e ninguém é melhor do que ninguém.
.
Porque assim, porque eu tenho um passaporte português, eu posso entrar na Europa inteira, I mean, na zona do euro. Tipo, só porque minha avó bigoduda (ela tinha bigode mesmo, tenho fotos comprovando) nasceu em Portugal há mais de cem anos, eu tenho direito de estar ali, mas o que de fato me dá mais direito de estar ali do que qualquer outro brasileiro ou latino americano? Os negos, todos eles, vieram pra cá, tocaram o puteiro, e agora tudo bem regular quem entra nos seus países? Todo país que foi vítima de colonização tinha que ter direito a cidadania européia. Ou seja, todos os países do mundo, porque a coisa "país" foi inventada pela Europa. 
.
E porque existe fronteira? Pra fazer guerra? Pra que os pobres não venham aos ricos e roubem seus trabalhos, sua riqueza e sua felicidade? Porque tipo, que se foda o resto, os pobres que continuem pobres e os ricos que continuem ricos, assim, separadinhos. E tudo o que um latino americano quer quando vai pra um país rico é foder com ele, claro. Ele não pode querer simplesmente viver ali, trabalhar, ter sua família ali. 
.
Mas, se caso esse latino americano queira, então ele é um covarde, que foge do seu país, que deixa pra trás sua pátria. Porque o bacana mesmo é honrar o seu país. Oi? Eu gosto muito do Brasil, mesmo todo o tempo que estive fora sempre estive antenada nas coisas daqui, mas gostei muito da Espanha, gostei muito do Canadá e não vejo um crime nisso. Não acho que o Brasil seja o melhor lugar do mundo, acho que todo mundo pode ter o seu lugar preferido no mundo, que pode ou não coincidir com o lugar do nascimento. 
.
Acho super importante saber da onde se é, ter consciência das suas raízes, mas isso é muito mais do que patriotismo. É honrar a sua família, é honrar a sua cidade, o seu bairro, os seus amigos, quem fez você ser hoje quem você é, é saber ter orgulho disso, para poder ter orgulho de si mesmo. 
.
Então é sério mesmo que eu vou precisar explicar pro cara da border no Canadá o que eu quero fazer ali? Tenho vontade de dizer: "olha, moço, perdoa a sinceridade, mas o que eu quero fazer no seu país é problema meu, porque o conceito de "país" é totalmente arbitrário enquanto o conceito de mundo é real, o mundo existe, e "país" é uma coisa que só existe na cabeça de gente que pensa pequeno".
.
Mas acho que ele não vai curtir, né? E, por algum motivo muito estranho, ele tem o poder de dizer se eu poderei dar um passo adiante ou não, então se ele ficar bravo, ele vai dizer que não, e daí eu não vou poder entrar no Canadá. Ai, que preguiça.

1 comentários:

  1. Odeeeeeeio border! (mas bem que me diverti dando uma de idiota na da Inglaterra! hehe)

    ResponderExcluir